Um tesouro escondido. Essa é a melhor definição do trabalho da americana Vivian Maier, uma babá que durante meio século se dedicou a fotografar cenas cotidianas de cidades dos Estados Unidos e exterior. Até sua morte, em 2009, seu precioso acervo  permaneceu encaixotado, nunca visto por ninguém. Agora, imagens que ela registrou entre as décadas de 50 e 70, estão em exposição em dois endereços, em Chicago.

Nascida em 1926, em Nova York, Vivian Maier cultivou um estilo de vida simples e solitário. Filha de franceses, passou a infância em Paris, retornando aos Estados Unidos em 1951, quando começou a trabalhar como babysitter em Chicago, onde viveu por 50 anos. Nas horas vagas, munida de uma Rolleiflex, saía às ruas para fotografar desconhecidos. Crianças e idosos eram seu foco predileto, assim como a sombra de sua própria silhueta, como demonstram os cerca de 40 auto-retratos que produziu.

Vivian nunca se casou e passou quase a vida inteira morando com as famílias para quem trabalhava. Suas economias eram aplicadas em viagens para países da América do Sul, Europa, Oriente Médio e Ásia, sempre sozinha. Quem a conheceu, diz se lembrar dela carregando uma câmera fotográfica, mas poucos confirmam terem visto uma imagem clicada por ela.

No final da década de 1990, Vivian estava desempregada e com problemas financeiros. Chegou a dormir em abrigos públicos por falta de moradia. Nessa época, armazenou seus pertences em um storage alugado. Até sua morte, em 20 de abril de 2009, Vivian não resgatou mais seus bens. Faleceu aos 83 anos, depois de sofrer uma queda e bater a cabeça, no centro de Chicago.

Diante da falta de pagamento, a empresa levou seus pertences a leilão. O agente imobiliário John Maloof, interessado em obter imagens antigas da cidade, pagou 400 dólares pelo material de conteúdo incerto. O que encontrou foi um registro histórico de rara beleza: cerca de 3 mil fotografias, fitas de áudio, câmeras e, o mais impressionante, quase 100 mil filmes não revelados, ou seja, nunca vistos nem pela própria autora.

Pelas mãos de John Maloof, um dos segredos mais bem guardados da fotografia urbana do século XX vem ganhando destaque. O legado dela já foi exibido em diversas galerias dos Estados Unidos e Europa, conquistando uma legião de fãs. Eu sou uma que caí de amores desde a primeira exibição de sua obra, no Chicago Cultural Center, em 2010. Até escrevi um artigo sobre ela para a Vogue Kids brasileira. Veja aqui.

Para saber mais sobre essa extraordinária história, tome nota dessas dicas: até o dia 19 de outubro, a Thomas Masters Gallery apresenta Vivian Maier: Out of the Shadows, com imagens das décadas de 50 a 70, período altamente criativo de Vivian. Na mesma galeria vai rolar, ainda esse mês, o lançamento do livro que leva o nome da exposição, com fotos do acervo do colecionador Jeff Goldstein, proprietário de mais de 25 mil fotos dela.

Tem também o livro Vivian Maier – Street Photographer , lançado em 2011, com edição de John Maloof, vendido na Barnes & Noble por 25 dólares.

Até o verão de 2013, parte da obra de Vivian Maier ficará exposta no Chicago History Museum, com entrada gratuita. Veja fotos que tirei na exposição na galeria abaixo.

Um documentário sobre a misteriosa vida da babá fotógrafa está em fase de finalização. Para mais informações, acesse vivianmaier.com  e www.vivianmaierprints.com

Chicago History Museum
1601 North Clark Street, Chicago
www.ChicagoHistory.org

Thomas Masters Gallery
245 West North Avenue, Chicago
thomasmastersgallery.com

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