Quantas casas noturnas foram capazes de atravessar um século sem perder o swing? O Green Mill Cocktail Lounge, situado no bairro de Uptown, em Chicago, é o club em funcionamento mais antigo dos Estados Unidos, e sem sinal de cansaço! Reverenciado por celebridades como Charles Chaplin, Billy Holiday e Frank Sinatra, o lugar mantém a reputação do melhor ponto da cidade para curtir inebriantes notas jazzísticas.

Inaugurado em 1907, teve o nome inspirado no famoso cabaré francês Moulin Rouge (red mill, em inglês), mas adotou o verde para evitar comparações com as “casas de luz vermelha” da região. Já nos primeiros anos, atraiu uma clientela influente, diretores de cinema e atores do Essanay Studios, onde Charles Chaplin filmou alguns sucessos.

Nos anos 20, foi a vez de Al Capone e sua gangue eleger o Green Mill como ponto de encontro. Eram os tempos da lei seca nos Estados Unidos e o club foi apontado como um antro de contraventores. Embora Capone tivesse um bar clandestino do outro lado da rua, era no Green Mill que o gangster costumava se acomodar em uma mesa estrategicamente posicionada no fundo do bar, para degustar altas doses de bourbon e ouvir a música de seu cantor favorito Joe E. Lewis. Por conta da relação com Al Capone, até hoje o Green Mill conserva uma porta secreta que (dizem…) dá para uma rede de túneis, antigamente usada para facilitar o tráfico e a fuga dos mafiosos.

No quesito música, o Green Mill também foi palco de gente notável, caso de Billie Holliday, Helen Morgan, Anita O’Day, Benny Goodman e muitos outros nomes de ouro do jazz. Frank Sinatra nunca tocou por lá, mas frequentava o bar durante as muitas visitas que fez a sua “kind of town” Chicago.

A excelência artística combinada com episódios históricos fizeram do Green Mill assunto e cenário para os filmes Os Intocáveis e Alta Fidelidade, entre outros.

Hoje o club preserva uma atmosfera nostálgica, com decoração em estilo art déco e fotos de antigos habitués. Aberto todos os dias, tem programação focada no jazz, mas também apresenta stand up comedy e declamação de poesia. Pequeno, tem capacidade para 150 pessoas, misturando com harmonia o público local a grupos de turistas.

Quinta-feira é a noite mais animadas (e lotada!), com big band e pista de dança cheia – nos outros dias, os shows são assistidos das mesas. Na contramão do costume local, o Green Mill não fecha cedo e até promove um After Hour Jazz Party que começa a meia-noite e vai até as 4h da manhã. Cheque a programação aqui.

Sempre que recebo visita, o Green Mill é programa obrigatório. Daí minha recomendação: se você tem uma única noite em Chicago, parte para lá que é diversão garantida!

Vale destacar que a casa não serve comida (nenhum petisquinho!) e não aceita cartão. A entrada custa entre $ 6 e $ 12 dólares, dependendo da atração. Fica a um bloco da estação Lawrence, Red Line.

Para mais informações, acesse: www.greenmilljazz.com

4802 N Broadway St

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Jornalista & trend seeker baseada em Miami